Marina Marques

Minibiografia
Formada em Cinema e Audiovisual pela PUC Minas e, atualmente, pós-graduanda em Produção de Audiovisual pela Faculdade Líbano e em 2026 iniciará o curso de especialização em Literatura pela Faculdade Libano. De 2022 a 2025, atuou como assistente de pós-produção na Sem Rumo Audiovisual, hoje atua como diretora de arte autônoma.
No campo literário, é a autora do conto "Rosas", publicado em 2019 no livro-reportagem "Sou Mulher e Não Mereço Ser Violentada". O conto inspirou o curta metragem universitário "Espinho Afável", selecionado para o I Festival do Audiovisual Brasileiro FESTIVOU. Entre 2020 e 2022, publicou no Centro de Crítica da Mídia - PUC Minas os ensaios "Olhares Que Desafiam: bell hooks e a Espectadora Negra", "A Bruxa do Amor: Misoginia e Dependência Emocional Feminina", "Quase Lucrécia: A Cisão dos Corpos de Martel", "Fantasticamente Normal" e "Entre o Sim e o Não, Nada Muda".
Texto Vencedor -
3º Colocado
Rosas
Ele sempre me dava rosas. Mesmo sem ser muito fã de rosas, eu gostava quando ele as trazia para mim. Me faziam sentir o quanto ele se importava comigo e como queria me agradar. Ele trouxe rosas alaranjadas depois que brigamos no dia da festa da empresa. Ele disse que minhas roupas estavam curtas demais. Ele só queria garantir que nenhum outro homem iria dar em cima de mim, tinha ciúmes, pois se importava e não queria me perder.
Ele me trouxe rosas cor-de-rosa depois de me humilhar na frente dos amigos dele, por dar uma explicação melhor que a dele sobre problemas na embreagem do carro. Ele não poderia deixar os amigos dele pensarem que uma mulher é melhor que ele, pois perderia o respeito da turma. Ele me trouxe rosas vermelhas depois que fez amor comigo enquanto eu dormia, mesmo após eu ter dito que não, pois estava muito cansada. Mas é que ele me quer tanto, me acha tão linda, sexy e atraente que não pôde conter seus desejos.
Ele me trouxe rosas amarelas depois que brigou com meu chefe e me fez perder o emprego. Ele disse que eu não precisava trabalhar, ele iria nos sustentar, ele sabia que era melhor pra mim ficar em casa. Ele me trouxe rosas esverdeadas quando me afastei da minha melhor amiga, que me aconselhava a deixá-lo. Ele sabia que ela era má influência pra mim, mas ele sempre me protegeria.
Ele me trouxe rosas azuis quando tentei me separar. Ele era o único homem que poderia me amar, que me aguentaria. Ele me trouxe rosas de todas as cores quando me fez ficar em casa, não me deixava sair. Ele me queria tanto, não podia me deixar ir embora, eu era a mulher de sua vida, preferia me ver morta do que com outro homem. Hoje em dia, ele me traz somente rosas brancas. Me sinto arrependida por ter pensado em deixá-lo, mesmo depois de tudo o que fiz com ele, ele ainda me ama e duas vezes por semana, deposita rosas brancas em cima do túmulo
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